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Notícias de Interesse

Ponto de Vista: A resposta global à AMR não pode deixar de atender as necessidades dos pacientes negligenciados
amrDr Manica Balasegaram, Diretor, Parceria Global para a Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos
[Junho 2016]

Longe de ser uma fantasia apocalíptica, uma era pós-antibiótica na qual infecções comuns e pequenos ferimentos podem matar pessoas se tornou uma possibilidade muito real. Ultimamente, muitas manchetes vêm falado sobre ‘o fim da jornada’ dos antibióticos. O último caso que recebeu muita atenção, em maio deste ano, foi o de um paciente nos EUA que tinha uma bactéria resistente a antibióticos de último recurso.

Visto que a resistência contra antibióticos (AMR) está obviamente afetando todos os cantos do mundo e países de todos os níveis de ingressos, não é difícil ver por que o problema foi detectado pelo radar dos líderes mundiais. O Plano de Ação Global sobre Resistência aos Antimicrobianos da Organização Mundial da Saúde (OMS) (GAP-AMR), adotado em 2015, foi um urgente primeiro passo para lidar com os desafios sistêmicos causados e resultantes da AMR. A Parceria Global para a Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos, um resultado concreto do processo do plano de negócios de longo prazo tanto do GAP-AMR como da DNDi, vem demonstrando como o ímpeto político pode resultar numa ação rápida. Em menos de dois anos, a parceria entre a DNDi e a OMS reuniu o apoio político e financeiro necessários para edificar uma organização que desenvolverá novos tratamentos antibióticos e promoverá o acesso sustentável e equitativo.

Devido aos riscos inerentes à AMR, a pesquisa e desenvolvimento (P&D) para novos tratamentos deve manter um foco global. Embora as parcerias de desenvolvimento de produtos (PDP) vêm, tradicionalmente, se concentrando nas necessidades de países de renda baixa e média, é vital garantir que tanto os países em desenvolvimento como os desenvolvidos sejam envolvidos nesse ímpeto, apesar dos diferentes desafios em termos de conservação e acesso a antibióticos. Entretanto, a Parceria Global para a Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos dará atenção especial às necessidades de países de renda baixa e média e a populações vulneráveis desde o início, quando as prioridades são estabelecidas, quando novos produtos terapêuticos com potencial são elaborados, e quando estratégias de acesso e administração são integradas ao projeto.

Embora a Parceria para a Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos Globais seja apenas um agente no campo da AMR, concentraremos nossos esforços nas prioridades da saúde pública, incluindo as que provavelmente não serão atendidas por outros agentes de P&D. Concentraremos nossa atenção em necessidades não atendidas de saúde pública, coordenaremos nossos esforços com outros agentes para diminuir a duplicação de pesquisas e maximizar o potencial por meio de parcerias, e interviremos onde houver mais necessidade. Alguns exemplos de possíveis atividades são: o desenvolvimento de novos tratamentos para a sepse neonatal e para a gonorreia; o desenvolvimento de uma triagem de combinação e de uma plataforma de desenvolvimento de drogas para aperfeiçoar o uso dos antibióticos já existentes; e uma iniciativa de ‘recuperação de memória’ de antibióticos para reavaliar e disponibilizar conhecimento e recursos sobre antibióticos recolhidos, abandonados ou esquecidos.

Também estamos trabalhando para garantir o acesso sustentável e procurando mecanismos de incentivo alternativo além dos subsídios convencionais. A Revisão de AMR do governo do Reino Unido, no seu relatório final, propôs, recentemente, ações concretas para lidar com a crescente crise de resistência a antibióticos. Isso confirma que o predominante sistema de financiamento e orientação da P&D farmacêutica não está conseguindo desenvolver e produzir as drogas, vacinas e diagnósticos que precisamos. Os mecanismos de incentivo atuais não irão repor o estoque vazio de P&D de antibióticos, pois eles dependem da reposição dos custos de investimento das pesquisas por meio das vendas dos produtos fabricados. Precisamos mudar de estratégia.

Assim, os modelos de negócios e incentivos alternativos precisam ser testados, incluindo o ‘desligamento’ do custo da P&D das vendas e um preço de tratamento que promova o uso apropriado ao passo que facilite o acesso equitativo para todos. Tentaremos explorar estas alternativas, ao passo que aplicaremos normas ou princípios que possibilitem que os frutos da inovação médica sejam acessíveis e que possam ser adquiridos.

Mas a AMR é apenas uma das áreas em que há a necessidade de P&D no nível de importância de saúde pública. A recente inclusão de novas doenças à lista da DNDi prova o quanto ainda há campos que não são pesquisados até hoje. Embora obviamente haja pontos específicos que distinguem a AMR de outros problemas da saúde pública – inclusive o fato de que o desenvolvimento de qualquer produto precisar vir acompanhado de esforços para garantir a sua conservação – as reações resultantes das principais necessidades dos pacientes da DNDi são as mesmas, independentemente da doença: identificação de falta de pesquisa, priorização, coordenação, financiamento sustentável, e normas que garantam a possibilidade de compra e o acesso sustentável e equitativo.

É importante mencionar que essas necessidades principais deveriam estar incluídas na Estrutura de Desenvolvimento e Administração Global para a AMR, que atualmente está sendo revisada pela OMS, e acreditamos que isto deve ser interpretado como o primeiro passo para o desenvolvimento de um acordo global abrangente sobre a inovação biomédica para todos os agentes de P&D e para todas as áreas de saúde pública.

Além da sua missão imediata ao respeito da AMR, uma das oportunidades da Parceria Global para a Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos é explorar como essas necessidades principais, que devem garantir que as necessidades dos pacientes sejam abordadas e tratadas, podem ser aplicadas na prática no problema da saúde pública em escala mundial.

Nos meses à frente, enquanto estivermos elaborando a estratégia científica, o portfólio inicial de P&D e a identificação da equipe inicial da Parceria, manteremos as necessidades dos pacientes em primeiro lugar.

Manica Balasegaram, Parceria Global para a Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos
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