Situação de P&D em setembro de 2014 : programa para a leishmaniosis da DNDi

A Leishmaniose é uma doença transmitida pela picada do “mosquito palha”. De caráter complexo, a cada ano surgem mais de um milhão de novos casos, bem como 350 milhões de pessoas em 98 países  correm o risco de contrair Leishmaniose. A doença se apresenta  de diversas formas, sendo as mais comuns a leishmaniose visceral (LV), que é fatal se não tratada, e a leishmaniose cutânea (LC). Entre os países com maior incidência, estão Índia, Bangladesh, Etiópia, Sudão do Sul e Sudão, com 90% dos casos notificados de LV. Os tratamentos existentes são de difícil administração, tóxicos, ou dispendiosos. A resistência a medicamentos também é um problema crescente. O Roteiro de 2012 da OMS estabeleceu o objetivo de eliminar LV do subcontinente indiano até 2020. Visando contribuir para o controle e eliminação da doença, o programa de leishmaniose da DNDi está trabalhando no desenvolvimento de novos tratamentos combinando  medicamentos existentes;, e/ou encurtando a duração do tratamento; e  no desenvolvimento de novas entidades químicas (NEC).

O portfólio atual de leishmaniose inclui:


Research
Pesquisa

 

Dois projetos em fase de pesquisa:

  • Está em andamento um programa para identificar nitroimidazóis substitutos (em inglés)  caso o VL-2098 (ver projetos em fase translacional)  não conclua com êxito / não seja bem sucedido nos testes pré-clínicos. Mais de 200 análogos foram preparados até agora. Dois compostos substitutos , originários de duas estruturas químicas diferentes , já foram selecionados e estão sendo avaliados quanto á seus perfis de eficácia in vivo e de segurança.
  • Um programa para identificar  oxaboróis (em inglés) substitutos  de apoiol, chamado Oxaleish, identificou o oxaborol 2035804 como  potencial líder otimizado. Uma análise mais profunda está em andamento antes da progressão e avançar para  a fase pré-clínica. Uma série de compostos substitutos, com eficácia similar por via oral, também foi desenvolvida, de modo que se o candidato principal (Oxa 2035804) não obtiver êxito na avaliação de segurança, o substituto  possa ser utilizado.

 

Translation
Pesquisa Translacional

 

Quatro projetos em fase translacional:

  • Em 2013, o VL-2098 (em inglés) foi identificado entre os nitroimidazóis como uma molécula muito potente e segura. Estudos de toxicidade reprodutiva foram concluídos com resultados positivos. Após a conclusão dos testes de toxicologia e segurança, bem como controles de química e de fabricação (CMC), o VL-2098 deverá i entrar em Fase I em 2015.
  • O projeto CpG-D35 (em inglés) para LC, incluído recentemente no portfólio da DNDi, visa desenvolver como complemento da terapia medicamentosa um imunomodulador para estimular a resposta  imune inata para  combater a infecção parasitária.
  • Um estudo de Fase II de prova de conceito (PoC) para LV (22 pacientes) com a NCE fexinidazol (em inglés) foi iniciado no final de 2013 no Sudão.  
  •  Um estudo de Fase II com Anfoleish (em inglés) , uma formulação tópica contendo anfotericina B, para LC começou em 2014 em um centro na Colômbia. Até o momento, foram recrutados 14 pacientes de um total de 80

Development
Desenvolvimento

 

Quatro projetos em fase de desenvolvimento:

  • Um estudo de Fase III para tratamento da co-infecção HIV/VL (em inglés) com 132 pacientes, envolvendo o tratamento combinado de AmBisome® e miltefosina e monoterapia de AmBisome® com uma dose maior do que a prática corrente  está sendo iniciado em 2014 em dois centros na Etiópia.
  • Um estudo de Fase III/IV (patrocinado pelo Ministério da Saúde do Brasil), visando avaliar os tratamentos recomendados pelo Ministério da Saúde para a LV no Brasil e uma nova  combinação de terapias (em inglés) foi iniciado em 2011 em cinco centros  e recrutou 379 pacientes. Em 2013, o Ministério da Saúde revisou as recomendações de tratamento da LV  com base nos dados da análise interina de segurança fornecidos pelo ensaio. O Glucantime® continua sendo o tratamento de primeira linha, enquanto o Ambisome® substituiu o desoxicolato de anfotericina B como tratamento de segunda linha.  
  • Um estudo de Fase III/IV foi concluído em 2013, com novos tratamentos para LV  (em inglés) aseados em terapias combinadas (miltefosina-paromomicina, AmBisome®-Miltefosina, AmBisome®-paromomicina, dose única de AmBisome®) em Bangladesh. 602 pacientes foram recrutados em quatro centros. Os resultados estarão disponíveis no final deste ano.
  • Um projeto de AmBisome® genérico (em inglés)   que visa a disponibilização de Ambisome® genérico com garantia de  qualidade, será iniciado em 2014.

Implementation
Implementação

 

Implementação e acesso a tratamentos:

  • A DNDi também segue apoiando a implementação do SSG & PM (em inglés) , um novo tratamento para LV  na África, disponibilizado em 2010 pela DNDi e a Plataforma da África Oriental contra a Leishmaniose – LEAP (Leishmaniasis East Africa Platform). Ainda que essa nova combinação tenha sido recomendada como terapia de primeira linha para pacientes com LV no leste da África pelo Comitê de Especialistas da OMS para o Controle da leishmaniose em 2010 e pelos países mais afetados, ainda são necessários esforços para garantir o registro, especialmente da paromomicina, e a disponibilidade de tratamento para pacientes com LV na região. Na Ásia, a DNDi e colaboradores, trabalhando junto com o governo indiano, providenciaram dados para guiar a mudança das diretrizes de tratamento contempladas no roteiro nacional revisado para para eliminação do calazar, o qual recomenda o uso de AmBisome® em infusão única e da combinação de paromycin-miltefosina quando apropriado em áreas de baixa endemicidade.

 

 

Até 2018, a meta da DNDi é oferecer a partir de seu portfólio específico para leishmaniose:

  • Um tratamento oral que seja seguro, de baixo custo, eficaz e de curta duração
  • Um novo tratamento para leishmaniose dérmica pós-calazar (PKDL), de menor duração e mais bem tolerado do que as opções atuais
  • Opções de tratamento para pacientes com co-infecção HIV/VL
  • Tratamento seguro, eficaz e de menor duração para a Leishmaniose Cutânea