Superando as barreiras de acesso ao diagnóstico e tratamento da doença de Chagas na Colômbia

[Bogotá, Colômbia – 23 de abril de 2015]

Ministério da Saúde e parceiros fazem recomendações visando superar barreiras para o acesso ao diagnóstico e tratamento da doença de Chagas na Colômbia.

Reunidos em Bogotá em um seminário internacional, especialistas da Colômbia e de outros países, representantes do Sistema de Previdência Social em Saúde, de gestão do conhecimento, da sociedade civil e de entidades de cooperação internacional discutiram passos para reformar e fortalecer propostas que assegurem o direito das pessoas afetadas pela doença de Chagas à saúde, assim como uma proposta de implementação de um projeto modelo em nível regional e nacional para o tratamento da enfermidade.

 

O seminário “Rumo à Eliminação das Barreiras para o Acesso ao Diagnóstico e Tratamento da Doença de Chagas na Colômbia” terminou em Bogotá com uma proposta de projeto modelo que seja factível em nível nacional, sustentável e possível de ser replicado em outros países da região. A conclusão do seminário incluiu ainda a elaboração de um documento com recomendações, entre elas a formalização de um roteiro para o controle da doença no país, com especial ênfase à atenção à doença no nível primário de saúde, incluindo diagnóstico e tratamento das pessoas afetadas e medidas de prevenção e promoção da saúde.
 
As recomendações também visam garantir a implementação de novas diretrizes de tratamento, originando um novo protocolo médico para Chagas; acelerar o processo de regulamentação para registro de medicamentos no país; além de implementar um Plano de Informação, Educação e Comunicação.
 
“O Ministério da Saúde e Previdência Social está disposto a apoiar todas as iniciativas para que a Colômbia possa assumir a liderança regional no processo de aprimoramento do diagnóstico e tratamento da doença de Chagas”, disse Alejandro Gaviria Uribe, Ministro da Saúde e Previdência Social. “Sabemos que a doença de Chagas está relacionada a condições de moradia e pobreza e, sendo assim, exige uma ação coordenada entre diversos setores para reduzir o risco de infecção. Esta é uma doença que impõe desafios de equidade enquadrados no Plano Nacional de Desenvolvimento”, acrescentou.
 
Atualmente, calcula-se que existam 4.800.000 pessoas em risco de infecção na Colômbia, e um total estimado de 437.000 casos. No entanto, nos últimos sete anos foram identificados 53.700 indivíduos, além dos cerca de 2.000 novos casos por ano diagnosticados por meio dos bancos de sangue, de acordo com dados de 2010 da Organização Mundial da Saúde (OMS). No total, menos de 1.000 foram tratados com medicamentos, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde da Colômbia (INS).
 
A doença de Chagas foi definida como uma das prioridades do Plano Decenal de Saúde Pública do país, que tem entre seus objetivos reduzir a letalidade e cessar a transmissão por barbeiros (insetos vectores transmissores da doença) em ambiente doméstico.
 
O seminário foi organizado pelo Ministério da Saúde e Previdência Social, Instituto Nacional de Saúde (INS) e a Rede Chagas da Colômbia, além da Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, sua sigla em inglês), reunindo nos dias 22 e 23 de abril, em Bogotá, cinquenta pessoas envolvidas de forma direta ou indireta com a doença de Chagas, provenientes de setores governamentais ou não, além de pessoas afetadas pela enfermidade.
 
Sobre a doença de Chagas
 
A doença de Chagas ou tripanossomíase americana é uma infecção causada pelo parasita Tripanossoma cruzi, o nome da doença foi dado em reconhecimento ao médico brasileiro que a descobriu, Carlos Chagas.
 
As principais formas de transmissão são por meio da picada de um inseto (conhecido como barbeiro) infectado com o parasita, por transfusão de sangue ou transplante de órgãos contaminados e por transmissão de mãe para filho durante a gravidez (transmissão congênita), e também por via oral.
 
Alguns sintomas incluem fadiga, dor de cabeça, perda de apetite, diarreia, vômitos, inflamação dos gânglios e inchaço de um dos olhos. Também pode haver sintomas de insuficiência cardíaca.
 
Atualmente existem dois medicamentos para tratar a doença de Chagas, o benznidazol e o nifurtimox, ambos por via oral. Em menos de 1 ano, o tratamento alcança uma cura completa. Tanto em crianças quanto em jovens, o tratamento tem menos efeitos colaterais do que em adultos. Nestes, o tratamento pode impedir a progressão da doença e a ocorrência de complicações cardíacas.