Manifesto de pesquisadores clama por apoio da comunidade científica para a leishmaniose muco-cutânea

 

O manifesto a seguir foi lançado durante uma sessão temática sobre leishmaniose muco-cutânea na 4ª reunião da rede de pesquisadores e colaboradores em leishmaniose (redeLEISH) que ocorreu no 6º Congresso Mundial de Leishmanioses (World Leish 6). Com o apoio dos pesquisadores presentes neste congresso, o mesmo foi apresentado para a comunidade científica e para os movimentos sociais que participaram do 53º MedTrop. Mais pessoas abraçaram a causa e hoje contamos com 136 assinaturas e um link para o recolhimento de assinaturas virtuais:

https://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/37330

 

 

Manifesto de apoio à pesquisa em leishmaniose mucosa

As leishmanioses em todas suas formas clínicas se inserem na lista de doenças tropicais negligenciadas da OMS por estar intimamente ligadas à pobreza e à baixa taxa de inovação farmacêutica e biotecnológica. A forma clínica mucosa ou muco-cutânea é uma das mais graves pois pode levar a destruição e deformação da face e das vias respiratórias, o que causa a morte de alguns pacientes por parada respiratória. Outrossim, os pacientes acometidos sofrem com o estigma, o que gera exclusão social e graves distúrbios psicossociais. Mais de 90% dos casos ocorrem na Bolívia, Brasil, Etiópia e Peru. Na região das Américas, a leishmaniose mucosa representa aproximadamente 4% dos casos de leishmaniose tegumentar, o que corresponde a aproximadamente 2250 casos por ano.

As recomendações atuais de tratamento para a leishmaniose mucosa (LM) são: 1) antimoniais pentavalentes (Sbv); ou 2) Sbv em combinação com pentoxifilina oral 3) anfotericina B lipossomal; ou 4) desoxicolato de anfotericina B (AB); ou 5) isetionato de pentamidina (PT). Todos estes fármacos apresentam sérias desvantagens em termos de toxicidade, eficácia e esquemas de tratamento (ex., longos períodos de administração via parenteral). Além do mais, o resultado do tratamento depende muito do estágio da doença nos pacientes.

Atualmente os esforços na busca de novos tratamentos e os recursos disponíveis se dirigem em grande parte à leishmaniose visceral, muito pouco se dirige à forma cutânea e praticamente não existem esforços direcionados à leishmaniose mucosa. Embora existam progressos na fase de identificação e no desenvolvimento pré-clínico de compostos, em um curto período de tempo (5-7 anos), os medicamentos atualmente disponíveis serão provavelmente ainda as únicas opções de tratamento. Portanto, é de extrema urgência otimizar o uso das ferramentas existentes e gerar evidências sólidas para melhorar os esquemas de tratamento da LM.

  Reconhecendo todas estas dificuldades, este manifesto clama pelo apoio da comunidade científica para:

  • Arrecadar recursos para financiar ensaios clínicos coordenados a fim de gerar mais evidências para o fortalecimento e elaboração de novas diretrizes de tratamento.
  • Promover investimentos para o desenvolvimento de um teste de diagnóstico rápido e não invasivo.
  • Sensibilizar os tomadores de decisão e o público em geral sobre o problema da leishmaniose mucosa para tentar buscar mais apoio para o desenvolvimento de projetos clínicos.
  • Facilitar o acesso e promover o diagnóstico e tratamento precoce dos pacientes.

 Tendo conhecimento do exposto, os participantes do fórum virtual da redeLEISH apoiam a causa e se comprometem a usar dos meios disponíveis para divulgar e melhorar as evidências de tratamento da LM.