A Plataforma de Pesquisa de Chagas pede a governos e organizações internacionais que intensifiquem esforços para eliminar a doença como problema de saúde pública

[Santa Cruz de la Sierra, Bolívia – 15 de novembro de 2018]

Pesquisadores e expertos internacionais, reunidos em Santa Cruz de la Sierra, acordam um documento no qual expõem medidas prioritárias para avançar com os compromissos adquiridos na luta contra Chagas.

Os membros da Plataforma de Pesquisa Clínica de Chagas e a Coalizão Global de Chagas, reunidos em Santa Cruz de la Sierra, assinaram hoje um documento dirigido aos governos, organizações internacionais e doadores, no qual são estabelecidas demandas prioritárias para avançar na luta contra a doença. Apesar de importantes avanços nos últimos 10 anos, estima-se que a doença continue afetando mais de 6 milhões de pessoas ao redor do mundo. A cada ano, surgem 30,000 novos casos, de acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

A Carta de Santa Cruz determina quatro medidas urgentes para alcançar o controle e eliminação da doença de Chagas como problema de saúde pública: ampliar o acesso ao diagnóstico e tratamento integral da doença no âmbito dos sistemas de saúde; aumentar o investimento em pesquisa e desenvolvimento para obter novas ferramentas terapêuticas mais seguras e mais eficazes; melhorar a vigilância da doença de Chagas implementando a notificação compulsória de casos crônicos; e estabelecer oficialmente o Dia Internacional das Pessoas Afetadas por Chagas, no dia 14 de abril.

Menos de 10% das personas com a doença de Chagas nas Américas foram diagnosticadas e a grande maioria delas não recebe o tratamento de que necessitam.  Sem tratamento, a doença de Chagas pode causar danos irreversíveis, e potencialmente mortais, para o coração e outros órgãos vitais.

Atualmente, existem somente dois medicamentos disponíveis para tratar a doença, um retrato da persistente falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D). “Os tratamentos para a doença de Chagas podem e devem melhorar”, defende o Dr. Sergio Sosa Estani, diretor do programa de Chagas da DNDi. “É necessário otimizar o tratamento atual e identificar novos tratamentos, desenvolver formulações para recém-nascidos, identificar marcadores que permitam avaliar a progressão e cura da doença e desenhar um projeto colaborativo para validar estas novas ferramentas”, diz o Dr. Sosa Estani.

Com o objetivo de ajudar a reverter o silêncio e a negligência que marcam a doença de Chagas desde seu descobrimento em 1909, os signatários da carta apoiam a solicitação da Federação Internacional de Associações de Pessoas Afetadas pela doença de Chagas (FINDECHAGAS) para que se declare oficial o dia 14 de abril como o Dia Internacional de Chagas. Neste dia, anualmente, os governos, as organizações, os doadores, o/as afetado/as e todos os que participam na luta contra Chagas unirão esforços para conscientizar sobre a doença e homenagear estas pessoas e suas famílias.

“Nós, os membros da plataforma de Chagas, estamos unidos com o objetivo de encontrar respostas científicas que permitam obter novas e melhores ferramentas que respondam às necessidades das pessoas que vivem com Chagas. Da mesma forma, solicitamos aos governos, organizações e doadores que também reafirmem seu compromisso de responder às necessidades das pessoas afetadas pela doença de Chagas e combater de vez esta doença”, diz o Dr. Sosa Estani.

 

Para mais informações:

Alessandra Vilas Boas: avilasboas@dndi.org / +44 7484661366

Marcela Dobarro: mdobarro@dndi.oirg / +55 (21) 981149429

 

Plataforma de Pesquisa Clínica em doença de Chagas

A Plataforma de Pesquisa Clínica de Chagas foi criada em 2009 e hoje conta com mais de 400 membros de 150 instituições e 24 países de todo o mundo. É uma rede de pessoas e organizações altamente especializadas que compartilham conhecimentos de vanguarda e experiencia na busca por novas ferramentas no combate à doença.

 

Coalizão Global de Chagas

A Coalizão Global de Chagas é a maior aliança colaborativa de organizações privadas e em colaboração com entidades públicas com o objetivo de impulsionar o acesso ao diagnóstico e tratamento. Foi fundada em 2012 por organizações como DNDi, Fundação Mundo Sano, ISGlobal, Fundação CEADES, Baylor College, entre outras.

 

DNDi

DNDi (Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas) é uma organização sem fins de lucro dedicada à pesquisa e desenvolvimento, que trabalha para brindar novos tratamentos para as doenças negligenciadas, especialmente leishmaniose, tripanossomíase humana africana, doença de Chagas, infecções por filarias específicas e micetoma, e para pacientes negligenciados, particularmente aqueles que vivem com HIV pediátrico e hepatite C.