Medtrop 2019: Chagas e Leishmaniose Visceral marcam o primeiro dia do congresso

30 de julho de 2019

Após cerimônia de abertura realizada no Palácio das Artes de Belo Horizonte, o Medtrop-Parasito/ChagasLeish 2019 abriu os trabalhos na última segunda-feira (29), movimentando o campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A DNDi se fez presente já na primeira hora do evento, durante a mesa-redonda “Novas Fronteiras para doença de Chagas”.

No painel, a gerente de projetos de acesso para doença de Chagas, Andrea Marchiol, apresentou os resultados do programa-piloto de acesso a diagnóstico e tratamento realizado em Casanare, na Colômbia. De acordo com a pesquisadora, houve um aumento de 900% no diagnóstico ainda no primeiro ano do projeto. “Diminuímos o período entre o pedido do diagnóstico e o resultado final em 90%”, completou.

Andrea Marchiol

Andrea também explicou a metodologia 4D (diagnóstico, desenho, desenvolvimento e demonstração de impacto), ressaltando que seu objetivo era garantir a sustentabilidade do programa dentro dos próprios sistemas de saúde. “Por isso, nosso enfoque principal foi a atenção básica”, pontuou.

Já o coordenador da Plataforma Chagas, Colin Forsyth, levou à mesa redonda um panorama da carga psicossocial da doença nos Estados Unidos. Segundo o pesquisador, existem mais de 300 mil pessoas de origem latino-americana que vivem com a enfermidade no país. Entretanto, apontou ele, apenas 2400 são diagnosticados e menos de 750 recebem tratamento. “O poder político fala inglês, enquanto os pacientes falam espanhol. Além das barreiras socioeconômicas, ainda há que se considerar o idioma”, relatou.

Forsyth ainda mencionou a iniciativa de acesso implementada pela DNDi no Centro de Excelência para Doença de Chagas em Los Angeles (CECD, na sigla em inglês), Califórnia, cujo intuito foi apoiar profissionais de saúde e pesquisadores que trabalham com a enfermidade na região. “Em quase 5 mil habitantes da comunidade latino-americana em LA, houve uma prevalência de Chagas de 1,24%. Isso implicaria em mais de 30 mil casos apenas no condado de Los Angeles. Quando fizemos testes nas famílias dos pacientes infetados, a prevalência foi cinco vezes maior”, revelou. Também participaram do debate Faustino Torrico, professor da Universidade de San Simon (Bolívia), e Israel Molina, do Hospital Universitário Vall d’Hebron, na Espanha.

Em paralelo às discussões sobre doença de Chagas, um auditório lotado no Centro de Atividades Didáticas (CAD) da UFMG recebeu o painel sobre leishmaniose visceral (LV), que contou com a participação da diretora do programa para a doença na DNDi, Fabiana Alves, e a moderação da gerente de ensaios clínicos para a América Latina, Joelle Rode.

Alves apresentou as novas abordagens terapêuticas para a enfermidade conduzidas na África pela DNDi. A pesquisadora ressaltou as dificuldades de adesão aos tratamentos pelos pacientes em várias regiões do continente e demonstrou preocupação com o principal contra-ataque da VL: a leishmaniose dérmica pós-calazar (PKDL, na sigla em inglês). “Algumas monoterapias e tratamentos combinados já apresentam alta recaída de PKDL, principalmente em mulheres e crianças”, explicou. O debate sobre leishmaniose visceral também contou com as contribuições de Ana Nilce Maia, da OPAS.

 

Hepatite C: novas regras de dispensação que facilitam o acesso

Na semana em que se comemorou o dia mundial de luta contra as hepatites virais, o Medtrop-Parasito 2019 abriu espaço a um debate pela construção coletiva de um “tratamento em massa” para a hepatite C. A mesa foi coordenada pelo assessor regional de Advocacy da DNDi, Francisco Viegas (à direita na foto abaixo).

Durante o evento, Gerson Pereira, representando o Ministério da Saúde (à esquerda na foto abaixo), anunciou mudanças regulatórias para ampliar o acesso a medicamentos para pacientes com HepatiteC. “Foi aprovado na comissão tripartite uma série de medidas para facilitar a dispensação de tratamentos, diminuindo o tempo de espera para os pacientes”, explicou.