Leishmaniose: estudo de combinação de Fase III

Rio de Janeiro – 13 de setembro de 2019

pacientes leishmaniose

Por Marina Boni, DNDi América Latina

Chegou a hora de passarmos de um estudo de fase II para um de fase III, combinando termoterapia e miltefosina para o tratamento da leishmaniose cutânea (LC) não complicada.

A DNDi finalizou recentemente um ensaio de fase II para avaliar a eficácia e a segurança da combinação de termoterapia (uma sessão) + miltefosina (dose padrão de 2,5 mg/kg/dia por 21 dias, via oral), em comparação à termoterapia em monoterapia (uma sessão) no tratamento da LC não complicada no Peru e na Colômbia. Os resultados preliminares na análise por intenção de tratar (ITT), após o ingresso de 130 participantes, mostraram evidências a favor da combinação.

A partir destes dados, nosso estudo de fase III tem como objetivo determinar se essa mesma combinação de tratamentos não é inferior ao tratamento padrão de primeira linha (antimoniato de meglumina de 20 mg/kg/dia por 20 dias, uso parenteral) e a monoterapia com miltefosina (dose padrão de 2,5 mg/kg/dia por 28 dias, por via oral). Assim, haverá três braços de tratamento neste estudo e os participantes serão avaliados para cura inicial em D90 e cura final em D180.

Quatro países e cinco centros foram selecionados para este ensaio aberto e randomizado: Peru, Panamá, Brasil e Bolívia. O motivo da seleção destes centros foi a grande quantidade de novos casos e a dedicação dos pesquisadores com os quais trabalhamos e sabemos do envolvimento com seus pacientes. Assim, o plano é ter 306 participantes recrutados em todos os cinco centros.

Equipamentos de laboratório

Então, onde estamos agora com a fase III? Todos sabemos da enorme quantidade de trabalho relacionada ao início de um ensaio clínico. Além de obter todos os documentos acordados e revisados internamente, como o protocolo e o consentimento informado, há uma enorme preparação para que todos os centros estejam assegurados, garantindo que todos eles sejam capazes de acomodar o número de participantes e de realizar os exames exigidos por protocolo.

Também é necessário realizar uma revisão orçamentária, preparar o sistema de captura eletrônica de dados, preparar todos os monitores e seus planos de monitoramento, desenvolver todos os planos de gerenciamento da segurança, organizar a compra e o envio dos medicamentos para cada centro e elaborar o plano de gerenciamento de dados assim como o plano de análise estatística. Tudo isso antes do centro recrutar o nosso primeiro participante!

Desta forma, estaremos enviando os documentos ainda este ano, como protocolo e consentimentos informados aos Comitês de Ética e Autoridades Regulatórias. Alguns desses países demoram mais que outros para as aprovações éticas e regulatórias, assim esperamos iniciar o recrutamento em 2020.

 

Vantagens no uso da Terapia Combinada

  1. O uso de um tratamento local mais um sistêmico teria hipoteticamente um efeito aditivo, pois o segundo eliminaria os parasitas circulantes ou remanescentes localizados na periferia da lesão que os tratamentos locais não alcançam e que podem ser a causa das recaídas;
  2. Também oferece a oportunidade de aumentar a taxa de cura atual se comparada com qualquer outra abordagem terapêutica disponível em monoterapia;
  3. A combinação reduz a duração do tratamento com miltefosina. E, se alcançar as taxas de cura esperadas, haverá evidências para recomendar a substituição dos antimoniais como primeira linha de tratamento nos casos de LC não complicada.