Ministério da Saúde e CNPq investem em pesquisas avançadas para combate à leishmaniose cutânea e à doença de Chagas

Brasília – 05 de dezembro de 2019

O Ministério da Saúde (Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos – Decit/SCTIE) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) vão investir cerca de R$ 1,5 milhão em pesquisas que podem levar ao desenvolvimento de um novo tratamento para a leishmaniose cutânea (LC). O estudo será realizado já em 2020 no Hospital da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e no Serviço de Imunologia da Universidade Federal da Bahia (C-HUPES/UFBA), em colaboração com a Plataforma de Pesquisa Clínica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a DNDi (iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas).

O ensaio clínico vai envolver uma combinação de uma aplicação de terapia com calor com uma administração mais curta de Miltefosina, medicamento oral utilizado para o tratamento da leishmaniose cutânea. Pesquisas anteriores já demonstraram que o tratamento combinado apresenta uma taxa de 80% de cura para a doença, o mínimo aceitável para um esquema terapêutico ser considerado seguro. Nesta próxima fase, a ideia é testá-lo em 300 pacientes em centros de referência no Brasil, Peru, Bolívia e Panamá.

“Queremos comparar esta combinação com o tratamento atualmente recomendado (antimoniato de meglumina) e com a miltefosina em monoterapia por 28 dias. Se os resultados mostrarem a taxa de cura esperada para a combinação de tratamento, este estudo poderá fornecer evidências para uso alternativo ou mesmo de substituição ao antimoniato de meglumina como primeira linha de tratamento para a LC, trazendo em um curto espaço de tempo uma opção eficaz e mais segura de tratamento para um grande número de pessoas afetadas pela doença”, explica Marcia Hueb, pesquisadora da UFMT e especialista em leishmaniose tegumentar.

Outro projeto da DNDi também contemplado pelo edital do CNPq foi o estudo de fase III para avaliar a segurança e a eficácia do Fexinidazol no tratamento de adultos afetados pela doença de Chagas crônica indeterminada. Primeiro medicamento inteiramente criado pela instituição, o “fexi” é atualmente utilizado para combate à doença do sono. Os ensaios clínicos, que serão conduzidos em hospitais e centros de referência do Brasil, contarão com recursos da ordem de R$ 3 milhões. Outras etapas do estudo serão realizadas na Argentina e na Colômbia.

“A doença de Chagas ainda representa um problema no Brasil, apesar da melhora significativa no controle da transmissão vetorial e da propagação via transfusão sanguínea. O Fexinidazol nos permitiria avançar no tratamento da enfermidade, principalmente na interrupção da transmissão congênita, que hoje gera o maior número de novos casos de Chagas em todo o mundo”, afirma Silvia Marinho Martins, professora e pesquisadora da Universidade do Estado de Pernambuco (UPE).

“O objetivo é compará-lo ao medicamento-padrão – o Benznidazol, administrado por 60 dias – para saber se o Fexi apresenta a mesma eficácia com maior nível de segurança em um período mais curto de tratamento”, completa Sergio Sosa-Estani, diretor do programa de Chagas da DNDi.

SOBRE AS DOENÇAS:

A leishmaniose cutânea é uma doença parasitária que pode ser causada por mais de 15 espécies do protozoário Leishmania. Surge como uma pequena protuberância no local da picada, que vai se transformando em úlcera. Estima-se que 1,2 milhões de casos são notificados por ano em aproximadamente 90 países, sendo o Brasil um dos 6 países com maior número de casos.

Causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, a doença de Chagas é endêmica em 21 países das Américas, embora a migração de pessoas afetadas possa levá-la outras regiões do mundo. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Chagas afeta aproximadamente 6 milhões de pessoas, com 30 mil novos casos e 14 mil mortes por ano. Existem ainda outros 70 milhões em risco de contrair a doença. Descoberta há mais de cem anos no Brasil, é recorrente em regiões de alta vulnerabilidade.

SOBRE A DNDi

A iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, na sigla em inglês) é uma organização sem fins lucrativos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) orientada pelas necessidades dos pacientes, que desenvolve tratamentos seguros, eficazes e acessíveis para milhões de pessoas em situação vulnerável que são afetadas por doenças negligenciadas, em particular a doença de Chagas, as leishmanioses, a doença do sono, o HIV pediátrico, a hepatite C, as filarioses e o micetoma.

Contatos de imprensa:

Marcela Dobarro / mdobarro@dndi.org / +55 21 98114 9429