Pesquisas científicas para novos medicamentos contra doenças negligenciadas e malária terão investimento de R$ 43,5 mi

São Paulo – 28 de novembro de 2019

Em busca de novos medicamentos para doenças negligenciadas e para a malária, pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e USP (Universidade de São Paulo) vão reunir um time de cientistas em uma rede global de colaboração cofinanciada por FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), DNDi (iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas) e MMV (Medicines for Malaria Venture).

O consórcio internacional, apoiado no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) da FAPESP, receberá investimentos de R$ 43,5 milhões em cinco anos. Os investimentos serão feitos pela Fundação (R$ 7,8 milhões), DNDi e MMV (R$ 12,8 milhões) e Unicamp e USP (R$ 22,9 milhões, em infraestrutura de pesquisa e custos de pessoal).

O acordo será assinado no próximo dia 28 em cerimônia a ser realizada na sede da FAPESP, em São Paulo (SP). Criado em colaboração com a Unicamp e a USP, o consórcio terá por objetivo de identificar candidatos clínicos com chances de se tornarem novos compostos para o tratamento da leishmaniose visceral (LV), doença de Chagas e malária.

O objetivo do projeto com a MMV é identificar uma nova molécula para o tratamento da malária que possa matar rapidamente o parasita sem deixá-lo suscetível ao desenvolvimento de resistência ao medicamento. Idealmente, a descoberta deve ser algo que possa ser ministrado em uma terapia monitorada que propicie ao paciente um tratamento com dose curativa, o que ajudaria a eliminar a malária em países como o Brasil e, eventualmente, em todo o mundo.

Já com a DNDi o objetivo é entregar um composto de alta qualidade, otimizado e pronto para desenvolvimento clínico, para o tratamento da doença de Chagas e das leishmanioses. Busca-se, assim, seguir os perfis de produtos-alvo desenvolvidos pela DNDi e seus parceiros para garantir a entrega de um composto que satisfaça as necessidades dos pacientes.

“A colaboração da Unicamp e USP com MMV e DNDi, ao mesmo tempo em que traz para São Paulo o desafio de pesquisa de descoberta de moléculas que sejam boas candidatas clínicas no combate a doenças negligenciadas e à malária, também abre o acesso ao acervo das organizações parceiras e a sua experiência na análise de tais moléculas.  Dessa forma, une pesquisa na fronteira do conhecimento e conectada a aplicações de enorme relevância social com formação de pesquisadores, importantes objetivos para o estado de São Paulo”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, sobre a parceria.

As doenças negligenciadas e a malária afetam bilhões de pessoas ao redor do mundo, principalmente em áreas de extrema vulnerabilidade. Os poucos medicamentos que existem para tratá-las são caros, têm pouca eficácia ou são extremamente tóxicos. A ideia do projeto é, portanto, estimular o desenvolvimento de capacidades para a pesquisa de novos fármacos no Brasil por meio do intercâmbio das melhores práticas de conhecimento.

“O grande diferencial deste consórcio é a criação de uma rede internacional, multidisciplinar, autossustentável e pensada a partir das necessidades das populações dos países endêmicos. Trata-se de um esforço conjunto pelo mesmo propósito: obter tratamentos seguros e eficazes para a doença de Chagas, leishmanioses e malária”, explica Jadel Müller Kratz, gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da DNDi.

A parceria também apoiará o treinamento de gerações futuras de especialistas em tratamento de doenças negligenciadas na UNICAMP e na USP, ao mesmo tempo em que trará novas oportunidades de trabalho e investimentos em infraestrutura nestas instituições.

“O consórcio vai ultrapassar fronteiras internacionais e levar à consolidação de um modelo de parceria global que contribui com a inovação, o avanço do conhecimento na área de descoberta de novos medicamentos para doenças parasitárias tropicais, a aceleração dos cronogramas de pesquisa e o compartilhamento de dados”, disse Luiz Carlos Dias, professor do Instituto de Química da Unicamp e responsável pela coordenação geral do projeto. 

As doenças

A malária, uma das doenças contempladas pelo consórcio, é causada por parasitas da família Plasmodiun e é transmitida pela picada de mosquito infectado. Em 2018, cerca de 200 mil casos de malária foram notificados no Brasil, segundo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. Em 2017, o número de pessoas afetadas registrou aumento de 53% em relação ao ano anterior.

Endêmica em 21 países da América Latina, a doença de Chagas é a enfermidade parasitária que mais mata na região, segundo dados da DNDi. No total, 70 milhões de pessoas estão em risco em todo o mundo e cada vez mais cresce o número de pacientes em países não-endêmicos, como Estados Unidos e Austrália.

Causada pelo protozoário Leishmania spp. e transmitida pelas inúmeras espécies do mosquito-palha, a leishmaniose visceral é uma zoonose de evolução crônica que pode ser letal, caso não seja devidamente tratada. Dos casos registrados na América Latina, cerca de 90% ocorrem no Brasil. 

Sobre a FAPESP

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo é uma das principais agências de fomento à pesquisa científica e tecnológica do país. Com autonomia garantida por lei, a FAPESP está ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Com um orçamento anual correspondente a 1% do total da receita tributária do Estado, a FAPESP apoia a pesquisa e financia a investigação, o intercâmbio e a divulgação da ciência e da tecnologia produzida em São Paulo.

Sobre a MMV

MMV, ao longo dos 20 anos de sua existência, é líder em parceria para o desenvolvimento de produtos (PDP, na sigla em inglês) em pesquisa de drogas para o tratamento da malária. Sua missão é reduzir o peso da malária sobre os países onde a doença é endêmica descobrindo, desenvolvendo e entregando drogas novas, efetivas e acessíveis. Desde a sua fundação, a MMV e seus parceiros apresentaram 11 novas drogas que salvaram cerca de 2,2 milhões de vidas.

Sobre a DNDi

A iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, na sigla em inglês) é uma organização sem fins lucrativos de Pesquisa e desenvolvimento (P&D) orientada pelas necessidades dos pacientes, que desenvolve tratamentos seguros, eficazes e acessíveis para milhões de pessoas em situação vulnerável que são afetados por doenças negligenciadas, em particular a doença de Chagas, as leishmanioses, a doença do sono, o HIV pediátrico, a hepatite C, as filarioses e o micetoma.

 

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