Programa de acesso a diagnóstico e tratamento de Chagas alcança 1300% de aumento no número de pessoas testadas em municípios de Casanare, Colombia

Yopal, 20 de junho de 2019

A iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, na sigla em inglês) e a Secretaria de Saúde do Departamento de Casanare, na Colômbia, anunciam hoje os resultados do programa de eliminação de barreiras ao diagnóstico e ao tratamento da doença de Chagas, após dois anos desde sua implementação. Entre os principais êxitos do programa, está o aumento de mais de 1300% no número de pessoas que realizaram o teste de diagnóstico nos municípios de Támara e Nunchía. Já o tempo de espera de resultado do exame passou de aproximadamente um ano a menos de um mês. Durante estes dois anos, cerca de 20% das pessoas que tiveram acesso ao diagnóstico foram confirmadas com a infecção.

As barreiras ao acesso ao diagnóstico ao tratamento à doença de Chagas são muitas. Entretanto, os dados mostram que, com medidas simples e recursos já existentes, é possível melhorar o acesso e promover uma mudança importante para a saúde da população“, afirma Dra. Andrea Marchiol, coordenadora médica dos projetos de acesso à doença de Chagas para DNDi para América Latina.

A melhoria no acesso é resultado de estreita colaboração de DNDi, Ministério da Saúde e da Proteção Social [da Colômbia], Instituto Nacional de Saúde, Hospital Regional de Orinoquía (HORO), Empresa Social de Estado (E.S.E) Redsalud Casanare e Secretaria Departamental de Saúde Departamental. A partir da identificação das principais barreiras que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento de Chagas na Colômbia, foi elaborada uma estratégia integral de atenção com foco nas pessoas afetadas pela doença, o que simplificou o processo ao levar o diagnóstico e tratamento a unidades de atenção primária mais próximas das comunidades. Para isso, houve o fortalecimento das capacidades locais do sistema de saúde e da comunidade. Além de Nunchía e Támara, o projeto foi implementado em municípios dos departamentos de Boyacá, Santander e Arauca, em colaboração com as respectivas Secretarias de Saúde.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a doença de Chagas afeta mais de seis milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo na América Latina. Quando não é tratada de maneira oportuna, pode afetar órgãos vitais, como o coração, e produzir danos severos à saúde. A transmissão ocorre pelo contato com os resíduos fecais do inseto conhecido como pito, que acontece depois da picada do vetor. A propagação também pode acontecer de maneira congênita (de mãe para filho, durante a gestação ou no parto) ou por transfusões de sangue ou de órgãos contaminados. Na Colômbia, estima-se que 4,8 milhões de pessoas se encontram em risco de contrair a infecção[i], 436 mil já estão infectadas e 130 mil sofrem algum tipo de dano cardíaco como consequência da infecção. No entanto, calcula-se que apenas 1,2% da população em risco foi diagnosticada e 0,4% dos infectados receberam tratamento contra o parasita.

Outra mudança é que pessoas mais jovens estão obtendo acesso ao tratamento. Isso é de extrema importância, posto que quanto mais cedo se detecta a doença, mais eficaz pode ser o tratamento. “Antes o exame diagnóstico era baseado apenas nos sintomas. Agora os médicos estão mudando a mentalidade e pensando na doença de Chagas não com base nos sintomas, mas também no risco. Como Chagas é silenciosa, se buscarmos somente os sintomas, deixamos de identificar muitas pessoas afetadas”, explica Dr. Rafael Herazo, consultor médico para projetos de acesso da DNDi.

Depois de dois anos, não falamos mais de piloto, agora temos um processo consolidado institucionalmente que impacta na saúde das populações afetadas pela doença de Chagas. A próxima tarefa é escalonar a nível departamental a implementação da estratégia de atenção”, acrescenta Dr. Fernando Torres, coordenador do programa de doenças transmitidas por vetor do departamento de Casanare.

 

Sobre a DNDi

Organização de pesquisa e desenvolvimento sem fins lucrativos, a DNDi trabalha para encontrar novos tratamentos para pacientes negligenciados, principalmente com doença de Chagas, doença do sono, leishmaniose, filariose, micetoma, HIV pediátrico e hepatite C. Em Chagas, a estratégia da organização possui três eixos: aprimorar ferramentas de diagnose e tratamentos a partir da inovação em pesquisa e desenvolvimento, estimular a colaboração, fortalecer a capacidade em países endêmicos a partir de plataformas científicas e melhorar o acesso dos pacientes a diagnósticos e tratamentos. 

 

[i] World Health Organization. Wkly Epidemiol Rec. 2015 Feb 6;6(90):7. 2Z.M. Cucunuba et al. / Social Science & Medicine 175 (2017) 187e198

 

Photo credit: Felipe Abondano-DNDi