Curta-metragem da DNDi sobre novo tratamento para a doença do sono ganha grande prêmio no primeiro festival de filmes da OMS

GENEBRA/KINSHASA (13 de maio de 2020) – Um curta-metragem realizado pela iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi) que conta a história de médicos da República Democrática do Congo (RDC) envolvidos no desenvolvimento de um tratamento revolucionário, totalmente oral, para a doença do sono, ganhou o “grande prêmio” no primeiro “Festival Saúde para Todos“, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O filme, intitulado “A doctor’s dream: A pill for sleeping sickness” (“O sonho de um médico: um comprimido para a doença do sono”, em tradução livre), retrata o trabalho do Dr. Victor Kande, pesquisador congolês que ajudou a liderar os esforços da DNDi, organização de pesquisa e desenvolvimento sem fins lucrativos, e seus parceiros para desenvolver o tratamento denominado fexinidazol.

O filme foi selecionado dentre quase 1300 concorrentes por um júri que contou com cineastas renomados e os principais dirigentes da OMS. Na sessão de comentários durante a cerimônia online de premiação realizada ontem, uma das juradas, a Dra. Soumya Swaminathan, cientista chefe da OMS, disse: “Como médica, eu conheço essas doenças, mas este filme realmente ressalta o forte lado emocional.”

Os outros jurados na mesma categoria foram o roteirista e diretor britânico Richard Curtis e o ator e diretor brasileiro Wagner Moura.

O filme está disponível aqui.

A doença do sono é uma doença parasitária contagiosa letal transmitida pela mosca tsé-tsé. Até recentemente, o único tratamento disponível era um derivado de arsênico, tão tóxico que matava 5% dos pacientes. A DNDi e seus parceiros descobriram o fexinidazol, de propriedade da farmacêutica Sanofi, e o transformaram em um tratamento seguro e fácil de usar. Agora, os pacientes só precisam tomar comprimidos durante 10 dias.

“O filme começa com o pesadelo que eu vivi durante anos, com tratamentos tóxicos e letais, mas termina com a realização do meu sonho: um medicamento seguro e efetivo”, afirma o Dr. Kande. “Hoje, sinto pena dos milhares de médicos em todo o mundo que enfrentam uma situação semelhante, e espero sinceramente que este filme e a nossa história mostrem que, se nos unirmos, podemos encontrar uma solução para este pesadelo global.”

Como parte do prêmio, a DNDi recebeu US$ 10.000 da OMS que usará para produzir outros filmes sobre pacientes negligenciados e os pesquisadores, médicos e profissionais de saúde que tanto se esforçam para encontrar tratamentos para eles.

A DNDi é uma organização sem fins lucrativos de desenvolvimento de medicamentos fundada em 2003 pela organização Médicos Sem Fronteiras para atender às necessidades de pacientes que vivem com as doenças mais negligenciadas. Desde a fundação, a DNDi criou novos tratamentos para doenças como malária, Chagas, leishmaniose e HIV pediátrico. Recentemente,  participou do lançamento de uma coalizão para acelerar as pesquisas de COVID-19 em países de baixa e média renda.

 

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Marcela Dobarro: mdobarro@dndi.org