Avança estudo de fase III para leishmaniose cutânea na América Latina

Ensaio clínico que avalia combinação miltefosina + termoterapia recruta seus primeiros pacientes no Panamá, Peru e Brasil

Após alguns meses de interrupção devido à pandemia da COVID-19, a DNDi e seus parceiros retomaram o ensaio clínico de fase III da combinação miltefosina + termoterapia (aplicações de calor), que pode trazer uma esperança para o tratamento da leishmaniose cutânea (LC). Os estudos estão sendo conduzidos no Panamá, Peru e Brasil, três dos quatro países previstos, com mais de 30 pacientes envolvidos. A ideia é que este número ultrapasse 300 pessoas até o final da pesquisa, que também ocorrerá em centros de investigação na Bolívia.  

O estudo representa a continuação da pesquisa de fase II realizada entre 2016 e 2019 na Colômbia e no Peru, que detectou uma taxa de cura de até 80% da terapia combinada em casos não complicados da doença, tornando-a mais eficaz do que aplicações de calor feitas de maneira isolada e mais segura que as já tradicionais injeções de antimoniato de meglumina. Nesta fase do ensaio, o objetivo é determinar se a combinação miltefosina + termoterapia possui eficácia e segurança não inferiores ao tratamento de primeira linha (com antimoniais) e à miltefosina oral administrada isoladamente. Apenas uma aplicação de calor pode tratar lesões de até 4 cm, substituindo o curso terapêutico tradicional que chega a 21 dias.

 

Aplicação de calor para tratamento de lesões de leishmaniose cutânea

Profissionais de centros de referência de Brasil (Corte de Pedra/BA), Panamá e Peru participaram de uma série de capacitações com o intuito de se apropriar da máquina de termoterapia.  Sob a liderança da Dra. Juliana Quintero, do Programa de Estudo e Controle de Doenças Tropicais da Universidade de Antioquia (PECET), na Colômbia, os treinamentos seguem em breve para Bolívia.

“As terapias combinadas têm sido amplamente utilizadas para o tratamento de diferentes doenças infecciosas, tais como malária, tuberculose, hanseníase e leishmaniose visceral. Se esta combinação alcançar as taxas de cura esperadas, haverá evidências para recomendar a substituição dos antimoniais como tratamentos de primeira linha em casos não complicados da LC”, pontua Byron Araña, diretor do Programa de Leishmaniose Cutânea da DNDi.