A Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas revela sua visão para P&D em saúde global para a próxima década

Meta é desenvolver 25 medicamentos em 25 anos para ajudar a solucionar desigualdades em saúde

GENEBRA – 30 de março de 2021 – A Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, sigla de Drugs for Neglected Diseases initiative), uma organização sem fins lucrativos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), está lançando uma nova agenda para descoberta, desenvolvimento e acesso a medicamentos que intensifica esforços para atender às necessidades de pacientes negligenciados, investe na preparação para futuras pandemias e doenças sensíveis ao clima e prioriza o desenvolvimento de tratamentos que sejam adequados a mulheres e crianças. 

Como parte do Plano Estratégico para 2021-2028, a DNDi tem o objetivo de lançar de 15 a 18 novos tratamentos, totalizando assim 25 novos tratamentos em seus primeiros 25 anos.

Desde sua criação, em 2003, a DNDi já lançou oito tratamentos para pacientes negligenciados, entre eles o mais recente, fexinidazol, o primeiro tratamento totalmente oral para a doença do sono e a primeira nova entidade química (NEQ) da DNDi. Contando com um portfólio atual e consolidado, a DNDi quer lançar 10 a 12 tratamentos até 2024 e 5 a 7 tratamentos baseados em NEQs em estágio inicial e na expansão do portfólio, apoiando assim novas áreas médicas cujas necessidades ainda não tenham sido atendidas.

O Plano Estratégico foi desenvolvido após um exercício de consulta que durou um ano e envolveu os sócios fundadores da DNDi, os principais especialistas em pesquisa e da indústria de saúde global, e dezenas das mais de 200 organizações parceiras da DNDi espalhadas pelo mundo.

“Nosso Plano Estratégico é lançado neste momento em que a crise da COVID-19 deflagra as desigualdades do nosso sistema biomédico global, que não pode continuar ignorando as necessidades de P&D de populações negligenciadas que vivem em países de baixa e média renda”, salienta o Dr. Bernard Pécoul, diretor executivo da DNDi. “Nossa visão para P&D em saúde global para a próxima década é contribuir com um sistema mais equitativo em termos de inovação e acesso, onde não apenas abordemos as lacunas óbvias no tratamento de doenças infecciosas, mas também ajudemos a promover as mudanças sistêmicas mais amplas que sejam necessárias para garantir a todas as pessoas necessitadas o acesso aos frutos do progresso científico.”

A DNDi dará prioridade às necessidades dos pacientes acometidos por doenças tropicais negligenciadas e a doenças virais que afetam de maneira desproporcional as comunidades que já são vulneráveis e negligenciadas. A organização unirá esforços com seus sócios-fundadores, líderes científicos e aliados de pesquisa situados em países de baixa e média renda para definir as prioridades de P&D e fortalecer a colaboração sul-sul e transregional em pesquisa. Faremos parcerias para promover impacto, expandindo as redes de contatos na indústria, especialmente nos países de baixa e média renda.  Além disso, a DNDi continuará defendendo a abertura, transparência e colaboração em pesquisa, e promoverá as políticas públicas e a vontade política que serão necessárias para que o sistema global de P&D biomédica se reoriente, priorizando o atendimento das necessidades dos pacientes sobre o lucro.

O Plano Estratégico da DNDi será lançado nesta terça-feira (30) em um webinar com a presença da Dra Marie-Paule Kieny, diretora de pesquisa do INSERM e membro do Conselho Diretor da DNDi, o Dr. Bernhards Ogutu, diretor de pesquisa do KEMRI e membro do Conselho Diretor da DNDi, do Dr. Jeremy Farrar, diretor da Wellcome, a Dra Soumya Swaminathan, cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde, e o Dr. Pécoul, diretor executivo da DNDi.

A DNDi buscará o apoio de governos, instituições de financiamento e de filantropia privada para obter 612 milhões de euros para o período 2021-2028, incluindo 136 milhões de euros já garantidos.