ANTICOV, o maior ensaio clínico na África para tratamento de casos leves de COVID-19, testa nova combinação de medicamentos

A combinação de nitazoxanida + ciclesonida será testada em breve na região subsaariana do continente

Barcelona, 27 de abril de 2021 – O ensaio clínico ANTICOV, realizado em 13 países africanos, começou a recrutar participantes para testar uma nova combinação de medicamentos, nitazoxanida + ciclesonida, que trata pessoas com COVID-19 na forma leve ou moderada antes do agravamento dos quadros.

ANTICOV é uma iniciativa do consórcio formado por 26 importantes organizações de pesquisa e desenvolvimento, coordenado pela DNDi (Drugs for Neglected Diseases initiative, em português Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas). É o maior ensaio realizado na África para identificar tratamentos precoces contra a COVID-19, que podem prevenir a progressão para a forma grave da doença e limitar sua capacidade de transmissão.

“Em muitos países africanos, nossos piores temores estão se concretizando, e as unidades de terapia intensiva, já sob pressão, estão começando a ficar lotadas de pacientes com COVID-19″, explica John Nkengasong, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (África CDC). “As doses de vacinas que chegam ao continente africano são insuficientes. A rápida disseminação de novas variantes também ameaça reduzir a eficácia das vacinas existentes, e estamos preocupados. Precisamos urgentemente identificar tratamentos acessíveis e fáceis de administrar, que possam prevenir a progressão para uma forma grave da doença e diminuir a taxa de infecções.”

O CDC da África registrou mais de 117.000 mortes de COVID-19 no continente. No entanto, de acordo com as estimativas, os números reais são ainda maiores. E com a disseminação das novas variantes, espera-se um aumento de novos casos nos próximos meses.

O ANTICOV está testando um novo tratamento potencial que combina a droga nitazoxanida, amplamente conhecida como antiparasitária, e o corticosteroide inalado ciclesonida. A combinação tem dois mecanismos de ação diferentes, que podem atuar em diferentes estágios da infecção: um deles é potencialmente ativo durante o estágio inicial da replicação viral da infecção por SARS-CoV-2, e o outro reduz a probabilidade de um estágio inflamatório que pode começar alguns dias depois. Ambos os medicamentos já estão disponíveis comercialmente, são acessíveis e, se forem eficazes contra a COVID-19, serão de fácil acesso e administração.

“Já se passou mais de um ano desde que a COVID-19 foi declarada uma pandemia e, embora tenhamos vacinas registradas para uso, ainda existem pouquíssimas opções de tratamento, especialmente para a fase inicial, em que poderíamos evitar o avanço para uma doença grave, potencialmente reduzindo a transmissão e talvez evitando o risco de desenvolvimento de distúrbios pós-COVID”, disse Nathalie Strub-Wourgaft, Diretora de Resposta à COVID-19 da DNDi. “Ainda não temos um tratamento para os casos leves ou moderados, e isso continua sendo uma prioridade de pesquisa na África – e em todo o mundo”.

A inclusão da combinação nitazoxanida + ciclesonida em um novo braço do estudo ANTICOV foi avaliada através do Fórum Africano de Regulamentação de Vacinas (AVAREF) criado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – que facilitou o processo regulatório nos países do ANTICOV – e pelo Comitê de Ética em Pesquisa da OMS para a COVID-19.

Os primeiros participantes no novo braço do estudo foram recrutados na República Democrática do Congo (RDC) e na Guiné. Nas próximas semanas, novos centros de ensaio incluirão participantes em Burkina Faso, Camarões, Costa do Marfim, Guiné Equatorial, Etiópia, Gana, Quênia, Mali, Moçambique, Sudão e Uganda.

“Agora que nos deparamos com um vírus mutante que desafia as ferramentas de que dispomos para combater a COVID-19, a pesquisa por tratamento nunca foi tão importante. É vital determinar quais opções podemos agregar àquelas já existentes de atendimento a pacientes e como elas podem ser adaptadas para o uso em ambientes com recursos limitados”, disse o Dr. Philippe Duneton, CEO da Unitaid, que financia parte do estudo. “Por meio do estudo ANTICOV, a Unitaid investe em drogas potenciais para tratar a COVID-19 leve e moderada, uma lacuna importante nas opções de tratamento disponíveis, que podem prevenir hospitalizações e mortes”.

Um ensaio flexível e adaptável

ANTICOV é um ensaio de “plataforma adaptável”, flexível e inovador, que permite que tratamentos sejam adicionados ou retirados à medida que se adquire mais conhecimento sobre eles.

O ensaio teve início em setembro de 2020, com a combinação antirretroviral lopinavir/ritonavir e o antimalárico hidroxicloroquina. Esses dois braços iniciais foram suspensos em dezembro de 2020, após a OMS atualizar suas diretrizes de tratamento para recomendar a não utilização destes medicamentos no tratamento de pacientes com COVID-19, incluindo pacientes com COVID-19 leve ou moderada.

O Consórcio ANTICOV está agora em processo de seleção e preparação do próximo braço do teste. As informações para a seleção dos medicamentos de teste para o ANTICOV são obtidas a partir de revisões realizadas pelo grupo de trabalho de especialistas da Associação Terapêutica do Acelerador de Acesso a Ferramentas contra a COVID-19 (ACT-A) liderado pela Unitaid e Wellcome.

A principal fonte de financiamento do consórcio ANTICOV vem do Ministério Federal Alemão para Educação e Pesquisa (BMBF), por meio do KfW, e da agência global de saúde Unitaid, como parte da ACT-A. Há, ainda, apoio do Programa Europeu para Ensaios Clínicos em Países em Desenvolvimento (EDCTP) – atualmente no seu segundo programa financiado pela União Europeia, com financiamento adicional do governo sueco –, a Fundação Internacional Starr e a Fundação Stavros Niarchos (SNF).

 

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