Wellcome renova parceria com a DNDi para desenvolver uma nova geração de medicamentos para tratar a leishmaniose

GENEBRA / LONDRES — 6 DE JULHO DE 2022

A fundação filantrópica britânica Wellcome concedeu um financiamento de €5,7 milhões para a organização de pesquisas médicas sem fins lucrativos Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligências (DNDi), para que continue o desenvolvimento de novas entidades químicas de uso oral promissoras para o tratamento da leishmaniose, uma das doenças parasitárias mais devastadoras do mundo.

Depois da malária, a leishmaniose é a doença parasitária que mais mata no mundo. É endêmica em 98 países e põe em risco mais de um bilhão de pessoas globalmente. Estima-se que surjam todos os anos entre 700.000 e 1 milhão de novos casos. A forma mais aguda, a leishmaniose visceral (LV), é fatal se não for tratada. A forma cutânea (LC) pode desfigurar e deixar cicatrizes permanentes, levando à estigmatização social e problemas de saúde mental, especialmente nas mulheres. Metade das pessoas afetadas são crianças com menos de 15 anos. 

A leishmaniose é uma doença seriamente negligenciada que afeta as comunidades mais pobres. Os tratamentos atuais não são satisfatórios: a maioria está defasada, depende de injeções dolorosas, é muito tóxica e sua eficácia é variável. Os pacientes merecem algo melhor. É por isso que estamos entusiasmados com a renovação da colaboração com a Wellcome, que nos permitirá continuar desenvolvendo moléculas promissoras em busca de medicamentos orais seguros, eficazes e fáceis de administrar“, afirma a Dra Fabiana Alves, diretora para as doenças tropicais negligenciadas (DTN) leishmaniose e micetoma na DNDi

Em parceria com a Wellcome e outros parceiros, a DNDi desenvolveu nos últimos anos um grande portfólio de novas entidades químicas (NEQ) únicas, incluindo cinco NEQs que estão avançando para ensaios pré-clínicos e ensaios clínicos de Fase I, além do composto lead LXE408, que está avançando para ensaios de Fase II. O LXE408 foi descoberto na empresa farmacêutica Novartis, com o apoio financeiro da Wellcome, e está sendo desenvolvido conjuntamente pela DNDi e pela Novartis. 

A renovação da parceria terá por base um projeto bem-sucedido da Wellcome com a DNDi chamado “21st century treatments for sustainable elimination of leishmaniasis” (“tratamentos do século XXI para a erradicação sustentável da leishmaniose”), que teve início em 2018. A meta da renovação é a continuidade do desenvolvimento de novos fármacos, incluindo a progressão do LXE408 para os ensaios clínicos de Fase II. O objetivo de longo prazo é o desenvolvimento de cinco terapias orais para a leishmaniose visceral e cutânea na Ásia, África e América Latina: os candidatos mais promissores progredirão para estudos de Fase III, de escala industrial, e o registro nas regiões onde a doença é endêmica. 

Nossa intenção é que os tratamentos futuros que estamos desenvolvendo atendam às necessidades desses pacientes negligenciados e especialmente das crianças, que representam metade dos casos de LV. Se forem orais e tiverem boa tolerância, podem ser utilizados no nível de atenção primária de saúde, permitindo que um número maior de pessoas seja tratado mais cedo“, explica a Dra Alves. “Isso contribuirá para os esforços de erradicação sustentável da LV na Ásia, assim como o seu controle na África e na América Latina, e também ajudará no controle global da LC.” 

A leishmaniose está diretamente associada à pobreza, acesso deficiente à saúde e conflitos. O deslocamento forçado de migrantes sem imunidade para áreas onde a doença é endêmica causou epidemias de leishmaniose visceral durante o conflito no Sudão do Sul nos anos 90 e em 2010, além do surto mais recente de leishmaniose cutânea na Síria. A pandemia de COVID-19 causou a interrupção dos esforços de controle da LV. 

Além disso, a leishmaniose é uma doença sensível ao clima. Mudanças nos padrões de temperatura e precipitação têm impacto na sobrevivência e distribuição do mosquito-palha, o transmissor da doença, que por sua vez facilitam a transmissão do parasita em áreas antes não endêmicas. Os sistemas de saúde devem estar preparados, e um tratamento oral simples estaria mais adaptado para enfrentar os desafios que estão por vir. 

Os novos tratamentos que vierem a ser desenvolvidos graças a este financiamento também poderão beneficiar os pacientes que manifestem formas complexas da leishmaniose, como a coinfecção por leishmaniose visceral e HIV, a leishmaniose mucocutânea e a leishmaniose dérmica pós-calazar (PKDL). O programa contribui de forma ativa para o Quadro para as NTDs da Organização Mundial da Saúde, que pede tratamentos que sejam simples para o usuário, seguros e altamente eficazes. 

Sobre a Wellcome  

A Wellcome apoia a ciência para a solução de desafios urgentes à saúde de todos. Apoiamos pesquisas que façam descobertas sobre a vida, saúde e bem-estar e estamos enfrentando três desafios globais de saúde: a saúde mental, doenças infecciosas, e clima e saúde. 

Sobre a DNDi

A DNDi é uma organização sem fins lucrativos de pesquisa e desenvolvimento que trabalha para disponibilizar novos tratamentos para pacientes negligenciados, para aqueles que sofrem de doença de Chagas, doença do sono (tripanossomíase humana africana), leishmaniose, filarioses, micetoma, HIV pediátrico e hepatite C. A DNDi também está coordenando o ensaio clínico do ANTICOV para encontrar tratamentos para casos leves e moderados de COVID-19 na África. Desde sua criação, em 2003, a DNDi disponibilizou doze novos tratamentos, incluindo novas combinações de medicamentos para a leishmaniose visceral, dois antimaláricos de dose fixa e a primeira entidade química que desenvolveu, o fexinidazol, aprovada em 2018 para o tratamento dos dois estágios da doença do sono. www.dndi.org

Contato de imprensa

Frédéric Ojardias
fojardias@dndi.org
+41 +41 79431 6216

Crédito fotográfico: Maneesh Agnihotri-DNDi