O programa da DNDi para hepatite C

Para viabilizar uma estratégia capaz de eliminar a doença, são necessários tratamentos adequados para uma abordagem de saúde pública: simples de administrar, a preços acessíveis e eficazes contra os diferentes genótipos do vírus (pangenotípico).

Por isso, a estratégia da DNDi é baseada em três pilares fundamentais, que incluem esforços em pesquisa e desenvolvimento, iniciativas para simplificar os modelos de cuidado aos pacientes e garantia para que os países tenham acesso aos medicamentos a preços adequados.

O primeiro passo da estratégia de pesquisa e desenvolvimento foi uma análise dos compostos já em fase de desenvolvimento. Foi, então, identificado o ravidasvir, da farmacêutica egípcia Pharco, com a qual a DNDi estabeleceu parceria para desenvolver um tratamento pangenotípico, simples e acessível. Em estudos clínicos, a combinação do sofosbuvir com o ravidasvir apresentou eficácia comprovada, inclusive para os genótipos mais prevalentes na América Latina, e demonstrou uma taxa de cura comparável aos melhores tratamentos disponíveis, mas com custo menor. Um tratamento pangenotípico eliminaria a necessidade de testagem de genótipos, permitindo um modelo simplificado e acessível, essencial para a expansão dos programas nacionais de combate à doença.

Para garantir a disponibilização do ravidasvir a preços acessíveis, a DNDi realizou uma parceria não exclusiva na região com os laboratórios ELEA Phoenix e Insud Pharma, da Argentina, para registrar, produzir e distribuir o medicamento, inicialmente nesse país e potencialmente em outros países da América Latina, com o preço-meta de US$ 500 por tratamento. Como a hepatite C pode ser curada, diagnosticar e tratar as pessoas infectadas de forma precoce pode garantir a eliminação da doença e o sucesso da meta da OMS. Para isso, onde as barreiras de patentes e os preços exorbitantes impedem o acesso ao medicamento, os governos precisam tomar medidas para proteger a saúde de sua população, fazendo uso, inclusive, de flexibilidades permitidas de acordo com a legislação internacional, como a oposição aos pedidos de patente ou a emissão de licenças compulsórias.

 

Imagem: Walter Britto